Para o alto, e avante!
Another picture of Conquest for Death, at Inferno Club, Sao Paulo - Brazil, in november 05, 2011
Mais uma foto do Conquest for Death, no Inferno Club, São Paulo - Brasil, em 05 de novembro de 2011

Não leio Novos Mutantes desde quando, sei lá, a Psylocke ainda não era japa. Não que eu não achasse o grupo legal, só nunca entendi o porque deles nunca terem sido promovidos à equipe principal dos X-Men.
Aproveitei o final da Cisma entre o Ciclope e Wolverine para retomar o título pra ver qualé. Para minha surpresa, muitos dos meus questionamentos a esse respeito estão no título do grupo, que apesar de ter ficado ao lado do Ciclope, resolveu fazer vôo solo ao deixar a ilha Utopia e ir para a cidade de São Francisco. O que me lembrou bastante a ideia e dinâmica do (excelente) X-Factor.
Outra similaridade com X-Factor é que o título tem uma narrativa bem mais leve em relação aos outros X-títulos, só que mais à moda que Dan Abnett e Andy Lanning imprimem no título do Homem Aranha.
New Mutants #37 é uma história que mostra Magma pagando sua promessa de ter um encontro com Mefisto em troca da salvação de seus colegas de equipe. A edição é bem divertida, e tem esse momento impagável de Mefisto querendo agradar Magma levando uma “banda dos sonhos” para fazer a trilha sonora do jantar:

“O cara no piano, é…?”

Richard Wagner, John Bonham, Robert Johnson e Mozart

Tumblr que é tumblr tem que ter um gatinho ao menos uma vez na vida, não é mesmo?
Esse é o Azulão. Resgatado da desastrosa desocupação de Pìnheirinho. O bicho é tão emo que tem até um coração na pata.
Quando Thor dava mancada, Odin não deixava barato.
Já o Eike Batista…
Cartaz da bicicletada-protesto-cosplay que vai rolar essa semana em São Paulo.
Se você pira no Tony Stark simplesmente pelo seu FATOR DOIDÃO, é hora de conhecer seu novo super herói favorito. Doutor estranho (ou sua forma astral?) viajou pela contracultura dos anos 60 e seus testes de ácido, da cena folk ao rock psicodélico, se nunca foi popular entre as crianças como o Homem Aranha, foi um sucesso no meio universitário - e hipster até o osso!
Doutor Estranho também atende por Stephen Strange, um jovem neurocirurgião muito do arrombado que em um curto período perde seus entes queridos um a um, e sofre um acidente de carro que quase inutiliza suas mãos o impedindo de exercer a profissão. A ruína não tarda a chegar, logo, Strange antecipa a expressão “se tudo der errado viro hippie” partindo para o Tibet em busca de uma cura espiritual. Lá encontra o Ancião, que o ensina as artes místicas fazendo dele o Mago Supremo da Terra. O resto é história.
No novo título dos Defensores (Defenders #4,2012, ainda inédito no Brasil), vemos num flashback uma homenagem a um dos discos mais influentes dos anos 60…


The Freewhelin´, segundo álbum de Bob Dylan, lançado em maio de 1963 (UM MÊS antes da primeira aparição do Dr Estranho nos quadrinhos), e influenciou praticamente todo mundo que influenciou alguém na cultura pop. Apesar da homenagem não ser assim lá tããão original, como conferimos no filme Vanilla Sky …

… ninguém tem mais crédito nas ruas que Stephen Strange para tal, ou melhor, ninguém tem mais crédito na rua Bleecker!
A Bleecker Street foi O local para a efervescente cena artística da época estar. Gente como Richard Pryor, Bill Cosby, Bruce Springsten, Jimi Hendrix, iniciaram e/ou tiveram suas carreiras alavancadas nos clubes dessa rua, por onde circulavam os beatniks e que batizou até música do Simon e Garfunkel.
Stan Lee e Steve Ditko, criadores do personagem, escolheram o lar de Dr Estranho na base da piada interna, mais precisamente no endereço onde Roy Thomas e Gary Friedrich (colegas de Marvel e posteriormente lendas das HQs super heróicas) viviam. Na HQ, o número 177 da Bleecker Street era um “terreno em que ocorria rituais indígenas e posteriormente sacrifícios pagãos”, e é onde fica o Sanctum Sactorum:

… que na vida real é assim:

… o Sanctum Sanctorum fica pertinho do Village Gate, numero 160 da Bleecker Street, onde Bob Dylan compôs A hard rain’s a gonna fall, do álbum Freewheelin’ em seu porão:
Ainda em dúvida da influência do Strange na, rua Bleecker? Diz ai, Dylan:
Are you a mystical person?
Bob Dylan: Absolutely.
Pouco mais abaixo no número 144, funcionou o Bleecker Street Cinema, provavelmente o maior ponto off-hollywood de Nova Iorque, dedicado ao cinema independente e “estrangeiro”, fechou as portas em 1991, após o dono TRIPLICAR o aluguel. Hoje tem uma agência de propaganda da Sony, um caixa 24 horas e uma loja de conveniência funcionando no local. Prova que por enquanto super poder nenhum conseguiu deter a gentrificação. No máximo, usou-a como camuflagem para esconder os heróis refugiados da Guerra Civil em os Novos Vingadores (2004):

“Olhe isso.”
“O que?
“Aquele prédio. Você não sabe que prédio era?”
“Era a casa do Dr Estranho. Agora será outro maldito Starbucks? Tão triste. Que prédio lindo ele era.”
Voltando a tempos mais românticos, mais precisamente numa história que se passa na virada do ano que não terminou para 1969, temos esse encontro inusitado entre Dr. Estranho e Tom Wolfe:


“TOM! TOM WOLFE! Não o vejo desde que você era apenas um aerodinâmico bebê floco de tangerina cor de caramelo!”
There Goes (Varoom! Varoom!) That Kandy-Kolored Tangerine-Flake Streamline Baby (ao pé da letra: Lá vai, Vrum! Vrum aquele aerodinâmico bebê floco de tangerina cor de caramelo) escrito por Tom Wolfe para a revista Esquire em 1964 é um ensaio sobre a onda de carros customizados ao sul da California, onde usa e abusa do Ponto de Vista da Terceira Pessoa, onomatopéias e diálogos escritos de maneira, digamos mais fonética do que “correta”. O ensaio deixou os puristas putos (numa comparação porca, pense ler miguchês na sua revista intelectual favorita) e batizou seu primeiro livro, uma compilação de ensaios para a Esquire. Também é um dos primeiros tijolos do Novo Jornalismo (New Journalism) americano.
Doutor Estranho no ninho da hippeiragem!
Em 1964 Ken Kesey fez uma tour de divulgação de seu segundo livro, Sometimes a Great Notion. Kesey vinha na esteira do sucesso de Um Estranho no Ninho, livro inspirado em sua experiência voluntária no PROJECT MKULTRA, estudo para testar os efeitos do LSD (!), mescalina (!!), cocaina (!!!), AMT (!!!!) e DMT (!!!!!), tudo isso bancado pela CIA (!!!!!!).
A ideia da CIA era testar drogas psicoativas para interrogatórios mais eficientes, controle mental e posteriormente, quem sabe, envenenar o Fidel. Na prática, abasteceu, divulgou e ajudou a fritar toda a cultura hippie que explodiu nos anos 60.
Kesey dava um sumiço no material de trabalho e logo passou fazer os famosos Acid Tests por conta própria, sua turma mais próxima, apelidada de The Merry Pranksters era basicamente uma formação de quadrilha: o Greatful Dead, Ken Babbs, Stewart Brand, Del Close, Paul Foster, Carolyn “Mountain Girl” Garcia , Wavy Gravy, Paul Krassner, Ed “Captain Kentucky” McClanahan, Gurney Norman e Neal Cassady (!). O autor, novo demais para estar entre os beatniks e velho demais para ser hippie (que surgiu apenas dez anos depois), dizia-se “o elo” entre as duas subculturas. Foi bem isso. Para o bem e para o mal.
Mas a pergunta realmente importante é: Estaria Stephen Strange entre os Merry Pranksters?

“…um velho amigo meu, clea. Não o vejo desde 64.”
“BONG”
Tom Wolfe acompanhou os Merry Pranksters na tour de Ken Kesey em 1964, o resultado foi…

… uma odisséia jornalística-literária lançada em 1968, conta a história dos Pranksters atravessando os EUA com destino a Nova Iorque, espalhando o caos controlado pela nação, suas fugas da lei, testes de ácido, a conexão com os Hells Angels em um ônibus-escolar chamado “Furthur” (corruptela de “Further”) que era dirigido pelo Neal Cassady (!), cuja pintura teve nada mais do que uma inspiração de nosso herói, como conta Tom Wolfe no livro:
“I make out a schoolbus…glowing orange, green, magenta, lavender, chlorine blue, every fluorescent pastel imaginable in thousands of designs, both large and small, like a cross between Fernand Liger and Dr. Strange, roaring together and vibrating off each other as if somebody had given Hieronymous Bosch fifty buckets of day-glo paint and a 1939 International Harvester schoolbus and told him to go to it.”
Tom Wolf - The Electric Kool-Aid Acid Test (1968)
Eis o dito cujo:

A sacada da HQ na virada de 68/69 certamente veio daí. Mas não dá para descartar a ideia de que deveria vir uma edição de Dr Estranho de brinde com a cartela de ácido nos anos 60 (ou o contrário?).
Ainda no campo na psicodelia, temos a influência de Dr Estranho no maior nome do rock do gênero. Confira essa página de Strange Tales #158 (1967)…

… o coletivo Hipgnosis usou este encontro entre o Dr Estranho e o Tribunal Vivo, em uma colagem para a capa do segundo álbum do Pink Floyd:

Pink Floyd - A Saucerful of Secrets (1968)
A Saucerful of Secrets tem o amargo gosto do dano colateral dos excessos da época. Ultima colaboração do líder-que-já-não-estava-mais-lá, Syd Barrett, que abandonou a banda mezzo cozido de LSD, mezzo de saco cheio do rock star way of life que o esperava. Mais pro cozido.
Mesmo fora do grupo, a aura de Syd Barrett rodeava o Pink Floyd servindo de inspiração para incontáveis épicos sobre a paranóia e/ou dano cerebral que tornaram-se clássicos do rock. Stephen Strange, mais modesto, dá as caras no álbum More, um ano após a saída de Barret da banda:
The lines converging where you stand
They must have moved the picture plane
The leaves are heavy round your feet
You hear the thunder of the train
Suddenly it strikes you that they’re moving into range
And Dr. Strange is always changing size
And it’s high time
Cymbaline
And it’s high time
Cymbaline
And it’s high time
Cymbaline
And it’s high time
Cymbaline
Pink Floyd - Cymbaline
Para mais causos sobre o Dr Estranho e uma visão mais progressista/prafrentex no status quo das HQ´s, confira o livro SUPERGODS, do Grant Morrison. Comecei a ler agora e é uma verdadeira aula no assunto. Num torrent perto de você.
Para mais sobre a conexão Merry Pranksters/Hells Angels vá atrás do livro do Hunter Thompson Hell Angels. Numa banca de jornal perto de você.
Para mais sobre a cena psicodélica “acid rock” da Inglaterra bem como a importância de Syd Barrett, o livro Sgt Peppers Lonely Heart Club Band, de Clinton Heylin, lançado por aqui pela Conrad dá uma bela ideia do assunto.
Moebius Redux: A Life in Pictures. directed by Hasko Baumann(2007)
Reposting this because it feels appropriate, and it’s all in one video this time. If you haven’t watched this yet, especially if you are new to Moebius, I highly recommend you do.
Daí o cara fica cego em um acidente e de quebra ganha supersentidos - super audição inclusa. A pergunta que não quer calar passa longe de saber como usar essas habilidades para o bem e a justiça, e sim: QUE MÚSICA ELE ESCUTA QUANDO ESTÁ DE BOA EM CASA?
Pelo menos foi isso que o roteirista Denny O’Neil pensou em 1980 quando cuidava do título do Demolidor. Em Daredevil 207, conhecemos Glorianna Obrien, novo interesse romântico do herói, vinda diretamente da Irlanda. Em um papo casual, Matt dá umas dicas de som:

A dica da rádio é quente, em três edições depois, em Daredevil 210, Demolidor vai dar uma incerta no apartamento de Glorianna e tudo que ouve é…

… WBGO (88.3FM) é uma rádio pública de Nova Jersey fundada em 1948, e desde 2008 (quando sua principal concorrente, a WQCD-101.9 FM, virou “radio rock”) é a única rádio dedicada ao jazz na região metropolitana de Nova Iorque.
Região metropolitana que ferve, como podemos ver nesse não-encontro onde Glorianna convida Matt para um clube de “musica irlandesa de verdade”…

… e Matt declina, pois vai curtir um show do percussionista sinfônico (!) Dave Samuels. Saca ai:
Não crucifique Matt Murdock por trocar uma gata E uma balada à Irlandesa por solos de vibrafone ainda!
Lembrei que a tradução brasileira fez uma piada involuntária:

“Mas só se você me levar a um barzinho onde tocam a melhor da música irlandesa. Já ouviu falar do U2?”
“Sinto muito Glori. MAS HOJE NÃO DÁ!”
Mais tarde saberemos que ela é uma chefona do IRA e que como não poderia deixar de ser, toda mulher que o ceguinho arruma é encrenca.
Mark Waid (roteiro), Marcos Martin (arte) e Javier Rodrigues (colorista) resgataram o amor ao jazz em Matt Murdock nesse quadro sensacional, de Daredevil 05 (2011):

Riversides Profiles - Chet Baker:

coletânea de gravações para o selo Riverside entre 1958 e 1959, época marcada pelo uso cavalar de heroína, assim como o grande amor de Matt, Karen Page:

outra coisa massa é a cor que o colorista (não sei se por coincidência) pintou o quadro:


Diversão escapista com som de primeira!
Nona arte é isso ai!
PS: Se você é fã do Demolidor e tem MUITO tempo livre, visite o sensacional The Matt Murdock Chronicles.
PS2: Se você tem razoavel tempo livre e curtiu o Chet Baker, LET´S GET LOST!
Foto de um ensaio sensacional sobre os Jokers (veja só!), gangue de Nova Iorque ativa nos anos 50.
Pela capa de Superman #130 na banca aí atrás, dá pra sacar que a foto foi tirada em meados de Julho de 1959. Se esse cara comprasse essa edição, o neto dele venderia por uns 50 doletas no Ebay.

12 de abril (meu aniversário veja só!) estreia minha banda nova, Mandibulla. Na Livraria da Esquina. Imagem sensacional roubada do oldhollywood.




